É bem verdade que nunca falta o que escrever. Não sou excepção. Mas mais do que escrever para alguém ler, a escrita tem em mim um efeito catártico. E é isso que procuro.
16.11.09

“Ver-te sair assim pela manhã faz doer. É como sentir as entranhas em fogo. Mea culpa, bem sei. E não adianta dizer que é de parte a parte.

Ao fim de cinco anos e meio já deveria ser capaz de pôr de lado as minhas “especificidades” e olhar em frente e pensar que sou capaz. Mas não sou. O tempo passa e isso não muda. E eu pergunto-me: até quando conseguiremos viver com isso. Sim, nós, porque eu já me conheço e sei que sou assim. Agora tu... talvez esteja enganada e me conheças melhor do que eu, mas duvido.

Eu não sou fácil, como bem sabes. Eu também o sei. Mas se o sei, porque não consigo mudar isso, nem com a tua ajuda?... Serei eu um beco sem saída? Talvez. Mas se assim for, para quê percorrer um caminho, um beco, que não conduz a parte alguma? Quando nos deparamos com um beco o que fazemos? Voltamos para trás e tomamos outro caminho. Talvez eu seja isso. E por vezes não percebo a tua teimosia em querer percorrer um caminho que além de não levar a lado nenhum é sinuoso, irregular e inconstante. A tua resposta será provavelmente porque me amas. Está bem. Eu também te amo e no entanto ver o teu sofrimento não me faz mudar, como já tiveste a oportunidade de comprovar uma e outra e mais outra vez. Cinco anos e meio e eu continuo a mesma L. de sempre. Devo ser o chamado caso perdido. Só lamento que te faça perder o teu tempo comigo. Sim, porque quando se falha uma e outra vez é-se um caso perdido. E eu falhei e falho. Muito. E nada me garante que não voltarei a falhar. As tuas palavras serão sempre as mesmas. As tuas belas palavras de alento que, não vou negar, me dão força. Sim, dão. Mas é apenas no momento em que são ditas. Eu não sou suficientemente capaz de as manter cá dentro e fazer delas a minha bandeira. É certo e sabido que mais cedo ou mais tarde, por um qualquer motivo tudo volta a desabar. E tu melhor do que ninguém sabe isso.

Quem é que eu quero enganar? Sou um fracasso. Enquanto mulher, enquanto profissional e até mesmo enquanto tua namorada. É pelo menos isso que sinto. Não te mereço. És bom demais para mim. Temos tantos planos... E eu quero muito concretizá-los. Mas neste momento faltam-me as forças. Não consigo dizer um “sou capaz” que me convença disso mesmo.

Embati num muro e não consigo ultrapassá-lo, não encontro caminho alternativo. Faltam-me as ideias, cansam-me as tentativas fracassadas. Queria ter um pouco que fosse da tua força. És tão mais forte e optimista do que eu. Eu ainda preciso de crescer. Saber quem sou, como sou. Eu devo ter, algures na minha adolescência, saltado a parte da definição de personalidade. Quem sou eu? Não encontro adjectivos que me caracterizem, pelo menos os que acarretam algo positivo. É tão mais fácil ver aquilo que em nós é errado. É tão mais fácil baixarmo-nos perante a adversidade do que levantar a cabeça e remar contra a maré.

“Estás deprimida.” Pois estou. E? É por isso que escrevo. É sempre este estado que me leva a escrever. Estarei eu a ver as coisas como elas são ou estará a minha visão turva com o meu negativismo? Restas-me tu para me tentar mostrar o contrário e indicar-me novamente o caminho, porque sozinha, está mais que visto, não sou capaz. Preciso de ti. Como sempre. Se ainda aí estiveres para mim. Como sempre.”

 

E assim começa mais um blog.

 

sinto-me: submersa
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