É bem verdade que nunca falta o que escrever. Não sou excepção. Mas mais do que escrever para alguém ler, a escrita tem em mim um efeito catártico. E é isso que procuro.
29.1.10

Andamos a ultimar pormenores para dar entrada com o projecto da casa na Câmara Municipal aqui da cidade, embora ainda tenhamos de aguardar o desenlace do terreno para podermos tratar da escritura. Mas está tudo controlado. Espero.

Desde que embarcámos os dois nesta aventura (sim, porque apercebo-me agora da aventura que é... imagino durante a construção) que passámos por altos e baixos, sobretudo por minha causa, pelo meu pessimismo, medos e insegurança. Nunca tive dúvidas de que era isto que queria e o R. também não. Mas eu sou difícil. Muito.

Primeiro era o horror ao ver os primeiros estudos prévios do arquitecto quando lhe tínhamos dito de antemão que não queríamos arquitectura moderna. Casas com ar de caixa de sapatos... não, obrigada. Não gosto. É a minha opinião. É a nossa casa. Ninguém me pode censurar por isso. Essa fase passou.

Depois veio a fase dos pormenores. Será que fica melhor assim, ficará melhor assado. Se isto ficar aqui aquilo tem de ir para ali. Portas aqui, janelas acolá. Uf... Já está arrumado também.

Estou com esta conversa toda para chegar a mais um problema que se nos afigurou e que é a Lei das Acessibilidades. Concordo em absoluto com ela mas em edifícios e espaços públicos. Numa habitação... já me custa mais a engolir. Podem até apontar-me o dedo e dizer que digo isto porque se calhar não tenho ninguém em casa com problemas de mobilidade e que até estou a ser egocêntrica. Talvez.

Eu sou de opinião que num espaço privado se um dia for necessário, a pessoa, o agregado, seja quem for deve nessa altura tomar providências para acautelar essa situação.

Caramba... a casa é nossa. Somos nós que pagamos tudo. Já não mandamos em nada? O R. é optimista e acha que tudo se arranja mas eu estou a ver um dos wc a ficar uma porcaria em termos de organização por causa desta lei. E é um wc com mais de 8m2. Imaginem se fosse mais pequeno!

O problema prende-se apenas com isto, porque de resto a casa é bastante ampla (talvez até demais) e é térrea. Eu não consigo assimilar isto muito bem. Sei que se legislou com bom intuito mas sinto-me frustrada por não poder fazer as coisas como eu gosto, neste caso não poder organizar um quarto de banho como eu gostaria. É que fazer uma casa de raiz e saber à partida que aquele espaço ali não vai ficar funcional é coisa que me deixa doente.

E pronto, era isto. Desabafei. Agora quem quiser que atire pedras e me chame estúpida (ou pior).

 

 

sinto-me: aborrecida
link do postPor Gita, às 10:59  comentar

De Lynce a 30 de Janeiro de 2010 às 00:23
Presumo que tenhas um imenso caminho a percorrer...
Eu ando desde há cinco a esta parte para fazer a escritura de uma quinta que me calhou em herança com 30.000 mts2 e que é para ser dividida por dois.

De Gita a 30 de Janeiro de 2010 às 13:08
Cinco anos? Espero que sejam cinco meses :s
Neste caso estamos à espera à sete meses. Mas está encaminhado. Os terrenos, quando passam de geração para geração não se actualizando as escrituras trazem mais tarde estes problemas. No nosso caso julgamos estar para breve até porque há um contrato de promessa de compra e venda ao barulho.
Espero sinceramente que consigas desatar esse teu nó o quanto antes.

De Lynce a 30 de Janeiro de 2010 às 21:54
A escritura do terreno está actualizada e tem duas casas de habitação que queriamos recuperar, o problema é que não nos deixam dividi-lo a meio, argumentam que é uma reserva natural.
Mas se não for pela escritura vamos partir para a doação. Provavelmente pensam que queremos lotear a quinta e ganhar uma pipa de massa, mas na verdade só queremos recuperar os casarões e ir para lá viver. Estamos a falar de um terreno a fica a 2km de Coimbra.

De Gita a 1 de Fevereiro de 2010 às 10:14
Uau... Coimbra tem uma reserva natural quase dentro da cidade? Vêm com cada justificação.
Uma prima minha também não podia construir num terreno lá da aldeia porque era zona agrícola ou florestal, uma dessas. Mas claro, o terreno em causa fica numa rua que tem casas de um lado e o do outro. Mas tudo bem.
Chateia-me não estarmos a pedir nada além do que é nosso e ainda assim colocarem entraves. Enfim...

De Lynce a 1 de Fevereiro de 2010 às 13:27
É a justificação que as entidades nos dão. Parece anedótico mas é verdade. Entretanto, já estamos a mexer os "cordelinhos" no sentido de contornar a coisa.

De Gita a 1 de Fevereiro de 2010 às 14:39
Pois. É um facto que ninguém gosta de admitir que o faz.
Mas as coisas só andam para a frente em tempo útil desta forma.

De Lynce a 1 de Fevereiro de 2010 às 22:39
A isso somos obrigados uma vez que não existe outra forma de resolver a situação. Chegámos ao cumulo de perder a autoridade sobre os nossos bens.

De Gita a 3 de Fevereiro de 2010 às 09:32
Nem mais. No fundo somos nós que pagamos tudo e nada é nosso.

De R. a 3 de Fevereiro de 2010 às 11:43
Não se iludam, nós só administramos, porque nada é nosso. Senão justifiquem-me o porquê de pagarmos às câmaras anualmente uma verba por uma coisa que seria nossa? Hã? Imposto Municipal sobre Imóveis... pfffff

De Gita a 3 de Fevereiro de 2010 às 11:59
Ah pois é. E se administramos mal levamos nas unhas forte e feio. Que é como quem diz: deixas de pagar, ficas sem as coisas.

 
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