É bem verdade que nunca falta o que escrever. Não sou excepção. Mas mais do que escrever para alguém ler, a escrita tem em mim um efeito catártico. E é isso que procuro.
6.4.10

Maria Gita não partiu nenhum dente com as amêndoas na Páscoa, até porque comeu apenas duas. Passou o fim-de-semana algo agastada porque na quinta-feira aquele que na ausência de chefe fica responsável por mim me disse que queria falar ontem comigo sobre outro assunto. Catano... mas porque é que não falou logo. Fica uma pessoa desorientada sem saber o que dali vem.

Eu sabia que era sobre a minha situação contratual mas não sabia se era mais do que isso. Ora acontece que até era mais do que isso. Disse-me que falou com a Administração e fez uma forcinha para eu cá ficar mais seis meses para continuar a ajudar no outro projecto.

Eu acho que nos dias que correm não me posso dar ao luxo de escolher, pelo que fiquei muito contente. É claro que não há promessa de continuidade mas sempre são mais seis meses a aprender, a progredir e sobretudo ocupada.

Confesso que me assustava a ideia de ficar sem trabalho numa fase em que vamos começar a nossa casa, sinónimo de necessidade de rios de dinheiro, e claro, tudo o que vier é ganho.

Só tenho pena de não poder ter férias com o R.. Trabalho aqui há quase dois anos sem nunca ter parado. Mas foi por opção e fico feliz por ele ser compreensivo. E agora seguem-se mais seis meses de rajada. Mas volto a dizer: há que trabalhar.

Isto por aqui, por vezes com o chefe tinha alturas que era uma pasmaceira, em que eu desesperava por trabalho. Agora que ele não está, anda tudo doido. Não consigo actualizar as tarefas. Ando sempre a fazer coisas que já devia ter feito.

Mesmo não estando, o chefinho ligou hoje, muito bem disposto e aproveitou para pedir uns mapas em que andava a trabalhar: "Sr. Eng.º, posso enviar-lhe o que já tenho feito mas o outro está atrasado que nunca mais consegui pegar nele." E ele tudo bem, que remédio. É um quido. Antes de ir embora e durante as arrumações do gabinete ainda encontrou lá seis garrafas de vinho alentejano que me deu. Há chefes fantásticos, não há?

Bem, já falei sobre a novidade. Agora vamos trabalhar que é para isso que me pagam.

 

sinto-me: esperançosa

31.3.10

Não digam a ninguém que eu vou dizer isto, mas é que... estou triste porque hoje é o último dia do meu chefe aqui na empresa. Eu sei que o comum dos mortais chamaria os amigos e faria uma festa. Lá está o meu espírito de contradição involuntário.

Isto vai ser estranho. Não ter ninguém perante quem me justificar ou simplesmente tirar uma dúvida. As coisas vão mudar e sei que vão culminar no fim do meu contrato daqui a pouco tempo. E eu vejo isto como o início desse desfecho.

O meu chefe tem lá o seu feitio, que de resto cada um tem o seu, mas é uma pessoa bastante educada e íntegra. Custa-me vê-lo empacotar as coisas para ir embora. Até porque sempre pensei que seria eu a primeira a abandonar o barco.

Sei, isso sim, que ele ainda fará muita falta a este projecto, embora se encontre já na recta final. Parece-me estar a ser tudo feito à pressa e isso daqui em diante só irá gerar confusão e eu perdida no meio dela.

E pronto, hoje não me apraz dizer mais nada. Apenas que vou sentir a falta do ritmo do meu chefe.

Vá, gozem comigo à vontade. Eu hoje deixo.

 

sinto-me: abandonada


 
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